Sanatório Santa Dália (parte única)
Jasper suspirou ao meu lado.
- O que foi cara? - questionei.
Ele demorou para responder, seu olhar fixo na estrada que se estendia a nossa frente.
- Nós somos agentes do FBI cara. - ele começou a falar, frustrado.
- E?
- Porque estamos indo para esse fim de mundo? Não deveríamos pegar apenas casos grandes? - ele concluiu com o cenho franzido.
Ri sem humor e olhei para a janela, as árvores passando por nós em fração de segundos.
- Que anti profissional - falei me ajeitando na poltrona - você tem sorte de eu ser seu amigo.
Jasper desviou o olhar da estrada por um segundo, a confusão evidente em sua face.
- Qual é cara? Você não fez nem um breve estudo do caso antes de embarcar nessa viagem? - perguntei com uma sobrancelha erguida.
- Claro que não Elliot. O que de tão grande pode ter acontecido nessa pequena cidade no Arizona para precisar de agentes do FBI? - ele disse parecendo irritado.
- Você precisa mudar esse comportamento. Eu sei que lá eles vão explicar melhor o caso mas seria muito mais profissional se você tivesse pesquisado antes - fiz uma pausa - assim você vai acabar sendo expulso do departamento.
Jasper apertou o volante com mais força.
- Além disso, parece que você está subestimando esse caso.
O rosto do meu colega ficou mais suave, a curiosidade surgindo.
- O que? Por que?
- Bom, diferente de você, eu fiz uma boa pesquisa sobre o caso ontem a noite e até imprimi algumas notícias e documentos.
Jasper revirou os olhos e riu sarcástico.
- Vamos lá senhor "super profissional", me mostre as coisas que descobriu então.
- Tá legal.
Alcancei minha bolsa no banco de trás e tirei uma pasta de dentro dela. Em seguida peguei os registros impressos na noite anterior.
- Esse caso se trata de desaparecimentos que acontecem em um hospício abandonado chamado: "Sanatório Santa Dália", desde a década de 80. As pessoas desaparecidas variam de exploradores urbanos a policiais.
- No começo os desaparecimentos eram considerados apenas uma lenda. A clássica lenda de um lugar onde todos que entram nunca mais saem, e foi determinado que os desaparecidos eram apenas pessoas que decidiram fugir da cidade.
- Porém o caso foi levado mais a sério quando a contagem de policiais desaparecidos subiu.
- Então estamos aqui hoje para entrar naquele lugar e descobrir se é uma lenda ou virar estatística? - Jasper me interrompeu.
- Na verdade não. Acontece que dessa vez um grupo de policiais desapareceu após entrar lá, mas, diferente das outras vezes, um dos policiais registrou os acontecimentos no bloco de notas de seu telefone e jogou o aparelho por uma pequena janela.
- Puta merda. Isso é mais foda do que eu esperava.
- Exato. Estamos indo analisar os registros desse policial para que alguma decisão seja tomada.
- Agora que o caso ficou mais sério e nós fomos envolvidos pode ser que o local seja demolido. Mas isso depende das provas e registros.
- Entendi. Mas porque não pensaram em destruir esse lugar antes?
- Na verdade pensaram, mas não é tão simples. Acontece que apesar da má fama, o lugar é considerado patrimônio cultural da cidade.
Jasper ficou em silêncio por um tempo depois da minha afirmação, pensativo.
- Mas... se por acaso isso for algo sobrenatural, não estaríamos libertando "a coisa" ao demolir esse lugar?
- Não diga bobagens Jasper, agora só nos resta focar na primeira etapa para solucionar esse caso: analisar os registros. - falei guardando os papeis dentro da pasta.
- Certo. Nós vamos para a delegacia?
- Não. O clima lá deve estar péssimo. Os documentos foram levados para o arquivo municipal, é para lá que nós vamos.
- Ok.
Jasper acelerou o carro e não demorou muito para chegarmos em Prescott. Viemos de muito longe então nos acomodamos em parar para fazer um lanche antes de finalmente prosseguir para o arquivo municipal.
Depois da nossa parada, finalmente dirigimos até o local.
Nas ruas os olhares de pessoas visivelmente abaladas nos atingiram como flechas.
Toda a responsabilidade de salvar Prescott estava em nossas mãos.
Dentro do arquivo municipal fomos guiados pelo arquivista Senhor Lende até uma sala mais isolada.
- Senhores... - o homem disse esperando nossa apresentação.
- Elliot e Jasper. - falei.
- Elliot e Jasper - ele repetiu - como vocês já devem saber, o celular foi encontrado na cena, bom, o aparelho original foi levado para análise mas aqui está o papel com uma cópia do registro feito no bloco de notas do policial Dylan. Além disso, encontramos também uma pequena filmagem e uma gravação da chamada que ele fez para o departamento de polícia, transferimos tudo para esse aparelho.
Segurei o papel e o celular.
- Obrigado Senhor Lende. - eu disse me sentando em uma poltrona, Jasper se sentou ao meu lado.
O arquivista de meia-idade deixou a sala e nós finalmente começamos a ler o papel:
O silêncio no escritório era ensurdecedor. Eu e meus colegas sucumbíamos no tédio e praguejávamos nossas versões do passado que escolheram o trabalho de policial em uma das menores e mais tranquilas cidades dos Estados Unidos.
Bruce batia a caneta na mesa repetidas vezes formando um som repetitivo e irritante. Lucy olhava para o relógio na parede que movia os ponteiros como de costume. E eu permanecia com o olhar fixo no telefone esperando um chamado surpreendente que nos tirasse daquele tédio absoluto.
De repente, Luke - meu melhor amigo - atravessou a porta com um sorriso enorme.
- Trouxe café para todo mundo!
Cada um de nós pegou um copo e em seguida cada um foi para seu canto. Luke se juntou a mim nas poltronas ao lado do telefone. Ele tomou um gole do café e falou:
- Se eu soubesse que ser policial nessa cidade era tão entediante, eu teria escolhido outro lugar. - ele suspirou.
- Acho que o problema realmente é a cidade que nós trabalhamos cara. - eu concordei.
- É até estranho desejar que esse telefone toque com uma ligação impactante. Estaríamos desejando que um crime grave acontecesse.
- Do jeito que estamos não precisava nem de algo muito impactante, resgatar gatos em árvores estaria de bom tamanho para mim.
Luke riu.
De repente o telefone tocou fazendo meu amigo engasgar com o café.
Rapidamente peguei o telefone e sem hesitar atendi a chamada.
- Departamento de polícia de Prescott, qual a sua emergência? - eu disse meio desajeitado, como se tivesse esquecido como se fazia aquilo.
Do outro lado da linha só se ouvia um chiado e alguns barulhos que pareciam correntes.
Perdendo a paciência Bruce falou alto demais.
- Desliga essa porra Dylan! É tro - antes que Bruce fosse capaz de completar sua frase ele se assustou com o grito agudo e agonizante ouvido através do telefone que estava na minha mão.
- Rápido Luke! Rastreia a ligação! - eu falei com urgência.
Luke rapidamente obedeceu e começou o processo para rastrear a ligação. Enquanto isso, eu tentava me comunicar com a pessoa do outro lado, mas sem sucesso.
Todos no escritório estavam arrepiados e chocados, não esperavam algo tão sério em um dia tão parado.
Sendo policiais a pouco tempo, com exceção de Bruce que era o mais velho dali e permanecia calmo e indiferente, todos estavam sentindo um misto de medo e adrenalina.
Luke se virou branco como um papel, em contraste a ligação caiu.
- Pessoal... aqui apontou para aquele... - Luke engoliu seco - aquele hospício abandonado.
- Aquele que dizem que quem entra nunca mais sai?... rodeado de lendas e mistérios. - Lucy disse com um entusiasmo estranho.
- Onde diversos policiais sumiram. - Julie completou.
- Qual é? Que tipo de policiais todos vocês são? Com medinho dessas lendas!
- Não são lendas Bruce! Existem registros de pessoas que realmente sumiram lá, principalmente policiais! - Luke falou.
Ele prosseguiu:
- O caso foi abandonado a um tempo e os desaparecimentos deixaram de acontecer, mas, pelo visto retomamos.
- Bora então, ou vocês realmente estão com medinho? - Bruce insultou com seu jeito valentão de ser e levantou em seguida.
Todos nós erguemos as cabeças e seguimos em direção as viaturas do lado de fora.
Com exceção de Julie que ficou encarregada de ficar na delegacia para o caso de algo acontecer por lá ou para o caso de precisarmos de solicitar reforços.
Depois de dirigir por um tempo nós finalmente chegamos no Sanatório Santa Dália, que ficava na saída da cidade.
O lugar apesar de ser patrimônio cultural da cidade tinha uma energia completamente sombria.
Além dos desaparecimentos e do passado polêmico, a construção estava completamente abandonada.
Musgo e plantas contemplavam as parede apodrecidas, as janelas estavam sujas e árvores secas se estendiam na fachada do local, seus galhos finos avançando em direção as janelas como braços ossudos, e atrás da imponente construção havia uma densa floresta.
Observei esse cenário através da janela da viatura me sentindo apreensivo, até que o baque de Bruce batendo a porta do carro me tirou de meus devaneios.
Saí da viatura seguido por Luke e Lucy.
Bruce deu uma última tragada em seu cigarro, jogou o que sobrou dele no chão e deu um passo a frente, decidido.
- Vamos. O que estão esperando? - ele falou olhando para nós três e depois voltou a andar olhando para frente.
Luke revirou os olhos, Lucy colocou uma mecha de seu cabelo loiro atrás da orelha e mordeu o lábio inferior parecendo nervosa.
Seguimos Bruce até a entrada do local, enquanto os últimos raios do sol poente tocava nossa pele.
Bruce tentou abrir a grande porta de madeira mas ela parecia emperrada então ele deu um chute e avançou para dentro, continuamos seguindo ele.
Lá dentro a situação era ainda pior. Mesmo sendo dia, as janelas empoeiradas impediam que a luz do sol entrasse no ambiente então tudo estava escuro. Pegamos nossas lanternas e começamos a iluminar o lugar.
Tudo estava bagunçado e sujo. Haviam tábuas caídas por todo o chão, as tintas das paredes estavam descascadas, materiais jogados, teias de aranhas e diversas pichações nas paredes, a poluição visual era tão forte que era impossível catalogar tudo. Além do horror visual, o lugar também possuía um forte cheiro de mofo.
Todos nós estávamos olhando o lugar atenciosamente quando o som da porta batendo nos assustou, imaginamos que era o vento então continuamos nossa exploração.
- Vamos nos separar. - Bruce disse.
Depois de decidir a direção que cada um seguiria, nos separamos.
Eu fiquei com um cômodo no segundo andar.
Lá tudo estava igual ao resto do prédio, todos os sinais de abandono evidentes.
Eu estava olhando alguns frascos vazios de remédios quando de repente um grito ensurdecedor ecoou por todo o prédio.
Era Lucy, ela estava em um cômodo no primeiro andar.
Desci as escadas correndo e cheguei junto com Bruce e Luke no cômodo onde Lucy estava.
Lucy estava paralisada, suas mãos tampando a boca e o horror atravessando seu olhar.
Logo entendemos o motivo daquilo.
Na frente de Lucy um corpo jazia sem vida no chão sujo.
Era um garoto de aproximadamente dezoito anos. Ele estava esticado no chão e sua cabeça estava virada para o lado. Seus olhos sem vida pareciam olhar diretamente para nós. Um filete de sangue caía de sua boca entreaberta e sua barriga estava brutalmente aberta exibindo suas entranhas.
Ao lado do corpo do garoto estava seu telefone caído com a tela trincada, ele quem nos ligou anteriormente.
Foi como levar um soco no estômago. Chegamos tarde demais. Não conseguimos salva-lo.
- Meu. Deus. - Luke disse pausadamente.
- Droga. - Bruce murmurou.
- Temos que voltar para a delegacia e pedir reforços. - falei, evitando olhar para o corpo.
- Sim. Você tem razão. - Bruce concordou.
Lucy continuava congelada de horror.
- Vamos Lucy. - falei puxando ela pelo ombro.
Lucy escapou de seu estado de transe e nós começamos a caminhar em direção a saída, tomando cuidado pois quem quer que tivesse feito aquilo ainda poderia estar no local.
Chegamos perto da saída, Bruce tentou abrir e não obteve sucesso.
- Que merda! - ele praguejou - porque essa porra não quer abrir? - ele falou sacudindo a porta de todas as formas possíveis em uma falha tentativa de abri-la.
- Deve ter alguma saída alternativa aqui, vamos procurar. - Luke falou.
Antes que qualquer um de nós pudesse responder Luke, um som estranho ecoou pelo prédio nos deixando em estado de alerta.
- Que barulho é esse? - Lucy questionou.
Eram como correntes.
- Rápido, vamos achar uma saída! - Bruce disse com urgência, se afastando da porta.
Nós viramos e rapidamente fomos repreendidos por Bruce.
- Desliguem as lanternas! Assim podemos ser encontrados por algo.
Obedecemos.
Começamos a andar um atrás do outro em direção aos fundos do lugar na esperança de encontrar uma saída alternativa.
Não poderíamos estar mais errados em criar essa esperança...
A partir daqui, tudo se transformou em caos, em algo incompreensível.
Estávamos andando no escuro quando o som de correntes pareceu mais próximo.
Não tivemos tempo de reagir.
Por um momento tudo ficou silencioso, até que ouvimos o som de algo afiado atravessando carne e depois o som de alguém se engasgando. Sem hesitar ligamos nossas lanternas e apontamos para o final da fila...
Lá estava Lucy se engasgando com seu próprio sangue. O horror atravessando seu olhar enquanto um ser horrível cortava sua garganta.
- L-Lucy. - murmuramos em uníssono.
Mas já era tarde, o corpo de Lucy caiu para o lado, sem vida.
Senti meu coração disparar.
O monstro horrível olhou para nós como se estivesse nos dando tempo para correr.
E foi isso que nós fizemos.
Acabamos nos separando enquanto corríamos.
Por alguma razão, aquela coisa escolheu seguir Bruce.
Conforme a coisa se aproximou, Bruce retirou sua arma do coldre e apontou para ela. Vendo que o ser não recuou, Bruce disparou, confiante.
Sua expressão de confiança foi despedaçada quando a coisa nem se moveu diante dos disparos que atravessavam seu corpo.
Por mais esperto e forte que Bruce fosse, ele não teve sorte. Assim que a coisa conseguiu o alcançar, agarrou o seu pescoço e o ergueu no ar como se ele fosse um simples manequim.
Bruce balançou as pernas e tentou se soltar do aperto daquela abominação.
Mas não obteve sucesso.
A coisa só o soltou quando ele parou de respirar.
Enquanto esse horror se desenrolava eu me escondi em um armário e vi Luke se esconder debaixo de uma mesa a poucos metros de mim.
Depois de dar um fim em Bruce, o monstro se virou e olhou ao redor. Seu olhar se fixou na mesa e Luke soube naquele instante que havia sido encontrado.
O monstro começou a caminhar lentamente na direção da mesa, os barulhos de correntes cortando o ar e o pânico evidente no olhar de Luke.
Luke saiu de debaixo da mesa e correu até uma das janelas que havia por ali. Ele começou a tentar abrir a janela mas todos seus esforços pareciam inúteis. Enquanto isso aquela aberração caminhava lentamente até o meu amigo, como se desfrutasse de seu horror.
Quando o ser finalmente alcançou Luke, ele soube que seu destino estava selado.
Me contorci dentro do armário estreito, eu queria ajudar meu amigo.
Mas não havia nada que eu pudesse fazer.
O monstro fez diferente com Luke, ao invés de cortar sua garganta com uma faca ou erguer seu corpo no ar até que o ar faltasse em seus pulmões, ele escolheu empalar Luke com os enormes chifres que adornavam sua cabeça deformada.
Luke gritou em agonia.
Evitei olhar a cena, mas quando os gritos de Luke pararam eu soube que havia acabado, ele estava morto.
Sem perder mais tempo, abri a câmera de meu celular e pulei para fora do armário, registrando a imagem daquela coisa por um breve momento. Em seguida aproveitei para correr até o segundo andar, onde encontrei um novo lugar para me esconder.
É questão de tempo até essa coisa me achar. Eu consigo ouvir o som de suas correntes se arrastando por aí enquanto ele me procura, ás vezes tudo fica silencioso e eu só consigo ouvir o som do meu coração descompassado. Nesses momentos de silêncio parece que ele vai emergir da escuridão e dilacerar minha carne.
Eu nunca vi algo assim. Seu corpo é como de um viking, diversas correntes cruzam o seu corpo como se essa coisa estivesse presa antes - mas nem mesmo correntes tão fortes foram capazes de conte-lo - e o pior é sua cabeça, é como de um cervo, mas é meio distorcida, inexplicável. Seus olhos são sem vida. Cada movimento seu carrega uma implacável sede de sangue. E ele cheira a morte em uma inconfundível mistura de carne podre e ferro.
Eu preciso de reforços.
- Puta merda. - Jasper disse me olhando em choque.
Deixei o papel sobre a mesa, tentando digerir aquele relato.
- Meu Deus Elliot. Será que esse cara é louco?
- Não sei Jasper. Bom, na verdade, vamos descobrir. Chegou a hora de assistir a filmagem que ele fez. - eu disse pegando o celular em cima da mesa.
- Até aqui, pode ser apenas um serial killer. Nunca imaginei que eu fosse dizer isso mas... eu espero que seja. - eu disse com o celular em mãos.
A capa exibia o exato local que o policial Dylan descreveu, sem esperar mais, apertei o play.
A filmagem era curta, tinha uns cinco segundos. No vídeo, um homem - que eu imagino ser Luke - caía no chão de joelhos. A imagem estava bem desfocada e tremida, já que Dylan estava correndo, então não deu pra ver muitos detalhes. Mas a coisa que estava diante de Luke não parecia humana, tinha as exatas características que Dylan descreveu em seu relato, e não era necessário uma imagem de alta qualidade para perceber que aquilo era bizarro.
- Mas que droga. - Jasper falou passando a mão em seus cabelos loiros.
- O que foi isso Elliot?
- E-eu não sei. - respondi nervoso, aquilo fugia da minha compreensão.
- Vamos ouvir a ligação que ele fez para o departamento de polícia.
A gravação da chamada estava lá, apertei o play sem hesitar.
- Departamento de polícia de Prescott, qual a sua emergência? - a voz de Julie começou.
- J-Julie... sou eu. - Dylan disse em um sussurro trêmulo.
- Dylan? Aconteceu alguma coisa?
Barulhos de correntes ecoaram ao fundo.
- Dylan?
- Meu Deus... ele tá vindo... ele vai me matar Julie! - Dylan falou com a voz contida, mas desesperada.
- Quem? Quem vai te matar? Onde estão os outros?
- Estão todos mortos Julie! Todos!
Julie não respondeu nada.
- O monstro os matou! E agora ele está vindo atrás de mim! Ele vai me achar.
- Dylan. Por favor tente manter a calma. Continue escondido, estou solicitando reforços.
- Não! Não deixe mais ninguém entrar aqui! Ninguém pode lidar com essa coisa Julie. Por favor não deixe mais ninguém entrar nesse lugar!
- Mas Dylan, como iremos te salvar? - a voz da policial estava trêmula.
- Eu não tenho mais salvação.
Um chiado começou a ser emitido, combinado com o som das correntes.
- Dylan?
- Dylan fala comigo!
- Ele tá vindo. É o meu fim. E-eu vou jogar meu celular pela pequena abertura na janela, as pessoas precisam saber da existência dessa coisa.
- Pula a janela!
- Não dá. N-não... não tem saída.
Julie ficou em silêncio. O som das correntes ficou mais alto e a chamada foi encerrada.
Acho que há algo realmente errado com o Sanatório Santa Dália.
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