Nove capítulo 2
Quando tínhamos 14 anos decidimos acampar em algum lugar mais distante.
Sempre que nós acampávamos antes, buscávamos por partes mais próximas da cidade pois tínhamos medo e nossos pais poderiam não deixar. Mas dessa vez, estávamos mais velhos e cansados da mesmice de acampar sempre em lugares óbvios, então decidimos nos aventurar mais a dentro da floresta, em direção as colinas, e devo dizer que isso foi uma péssima ideia.
No começo estava tudo perfeito, nós combinamos de nos encontrar no porão da casa de Kyle e Ian às 18:00 para preparar tudo que levaríamos na nossa pequena expedição. Às 17:50 todos nós já estávamos lá super empolgados preparando nossas mochilas.
- Ok. - Kyle disse colocando um mapa da floresta de Alpharetta sobre a mesa central do porão.
Nós nos reunimos ao redor da mesa e olhamos para o papel pardo.
- Devemos seguir por essa direção - ele deslizou o dedo indicador sobre uma linha - e chegaremos aqui. - ele concluiu indicando um ponto.
- O que vocês acham? - ele questionou por fim.
- Eu acho legal. - respondi.
Todos assentiram, exceto Rick que parecia hesitante.
- Vocês nunca ouviram as lendas dessa parte da floresta? - Rick disse com a voz trêmula, ele sempre foi o mais medroso de nós.
- Lendas? - Kyle disse levantando seus olhos castanhos para Rick.
- Ninguém acampa pra aquele lado. Essa parte em específico fica mais perto das colinas, as pessoas que acamparam lá costumam contar que coisas estranhas aconteceram com elas durante a noite, depois disso todas essas pessoas aparecem mortas. - Rick disse sério.
- Isso são só lendas Rick. As mortes não tem nada haver com coisas sobrenaturais. - Kyle respondeu.
- O Kyle tem razão, são só lendas e se algo der errado podemos dar o fora de lá. - Ian se manifestou.
- Não podemos simplesmente acampar pro outro lado? - Rick perguntou com nervosismo evidente na voz.
- Olha - eu disse colocando a mão no ombro de Rick - fica tranquilo Rick, são só lendas para assustar crianças. Estamos planejando isso faz tempo e não podemos mudar ou desistir agora.
Ele olhou para mim hesitante.
- Se você quiser você pode ficar, nós vamos entender. - Kyle disse.
- Não! Eu vou! - ele disse abruptamente.
- Tudo bem. Fica tranquilo tá? Vai dar tudo certo e vai ser super divertido, nós sabemos acampar cara.
Assim que concluímos tudo que tínhamos que fazer saímos de casa, por volta das 18:30. O xerife nos ofereceu uma carona até o local mas recusamos pois queríamos aproveitar ao máximo a caminhada até lá.
A entrada da floresta ficava bem perto da casa de Kyle e Ian então logo estávamos dentro da mata, cercados por árvores de todos os tamanhos e envoltos numa atmosfera única de completo mistério, algo que nós particularmente amávamos.
Estávamos nos divertindo muito e contando várias histórias engraçadas, tornando nosso trajeto agradável.
Nós finalmente chegamos no lugar planejado, já era umas 19:00 e tudo estava muito tranquilo, algo que acalmou Rick que começou a ficar mais a vontade.
Nós montamos nossas barracas e decidimos as duplas que ficariam em cada uma. Seria eu e Anne, Kyle e Ian, e por fim, Phillipi e Rick.
Depois de tomar essa decisão e preparar tudo nós montamos uma fogueira e nos sentamos ao redor dela.
Kyle pegou os pacotes de marshmallow que ele havia comprado e nós começamos a assar.
A fogueira a nossa frente iluminava grande parte do perímetro com suas grandes chamas alaranjadas, as histórias de terror tomavam forma em nossas vozes e as silhuetas das árvores dançavam com o vento formando uma coluna que vista de relance se parecia com criaturas imponentes. De qualquer modo, estávamos tão felizes que nem mesmo as histórias de terror naquele ambiente eram capazes de nos assustar, todos nós estávamos levando tudo na brincadeira, até Rick.
Ficamos um bom tempo assando marshmallows e jogando conversa fora. Até que o céu acima de nós começou a aglomerar nuvens negras e ondulantes que indicavam que para o nosso azar uma tempestade se aproximava, isso também nos fez voltar a realidade percebendo o quão tarde estava.
Juntamos nossas coisas, apagamos a fogueira e cada dupla foi para sua respectiva barraca, todos desejando que mesmo com a chegada de uma tempestade aquela pudesse ser uma noite agradável de sono.
- Que barulho foi esse? - Anne disse se virando para mim quando estávamos prestes a entrar na nossa barraca.
- Qual? Eu não ouvi nada. - eu respondi, confusa.
- Parece que... eu ouvi passos.
- Passos? Deve ser só algum dos meninos Anne, relaxa.
- Não... era... era dentro da mata.
No momento que Anne disse isso o som de um graveto se quebrando pairou no ar, algo que fez um arrepio percorrer minha espinha.
- D-deve ser só um animal! Vamos entrar. - eu disse me sentindo uma idiota por estar assustada com aquilo.
Nós entramos na barraca e decidimos acreditar que de fato aquele som era de algum animal pequeno - porque a ideia de ser algum animal selvagem também era bem assustadora. Porém, à aquela altura a tensão já estava instalada por conta das lendas locais e das histórias que contamos ao redor da fogueira.
A ideia de ter alguém - ou algo - a nossa espreita todo esse tempo e em um lugar tão isolado era arrepiante.
Depois de alguns minutos ouvindo apenas sons da natureza lá fora, conseguimos esquecer todo aquele medo que estávamos sentindo e logo pegamos no sono. Mas com a mesma rapidez que o sono veio, ele também foi embora, afinal acordamos algumas horas depois, ouvindo uma estranha canção em meio a tempestade que se derramava lá fora.
- Porra... quem tá fazendo isso uma hora dessas? - eu disse ainda sonolenta.
Era um coro de vozes dentro da mata, cantando algo em outro idioma que parecia Latim. As vozes eram ofuscadas pelos sons dos trovões ás vezes mas era possível notar que eles nunca paravam de cantar.
- Os meninos estão indo longe demais com essas brincadeiras - Anne começou a falar - aprender Latim e cantar no meio de uma tempestade, meu Deus, isso já é loucura! - ela riu nervosamente.
- Gente isso não tem graça! - gritei dentro da barraca.
Nenhuma resposta veio, as vozes continuaram, algo que não fazia sentido algum, afinal por mais brincalhões que Kyle, Ian, Phillipi e Rick fossem, eles não iriam tão longe por uma brincadeira tão idiota, muito menos continuariam após serem descobertos.
Mas... e se não fossem eles? Quando esse pensamento atravessou minha mente eu senti um frio nos ossos, um medo inexplicável, um medo do desconhecido que cantava através das árvores que rodeavam nosso acampamento.
- Que porra é essa? - Anne disse com a voz trêmula.
- Vamos ignorar isso e voltar a dormir ok? Amanhã de manhã vamos dar o fora daqui. Nada de ruim vai nos acontecer. - eu disse com mais intenção de me tranquilizar do que de tranquilizar Anne.
Devo admitir que não gosto do meu hábito de ignorar os problemas que aparecem na minha vida quando eu acho conveniente fazer isso, afinal assim que terminei minha frase uma grande silhueta começou a avançar em direção a barraca de forma impetuosa, a silhueta ficava maior no tecido amarelo da barraca a cada passo dava para a frente, sendo ocultada quando os raios que serpenteavam pelo céu iluminavam a barraca desvanecendo qualquer sombra. Suspirei, nosso destino parecia selado. Anne estava pálida de horror ao meu lado e eu provavelmente estava igual.
O ser finalmente chegou na entrada da barraca e ergueu um dos braços abrindo a barraca com urgência, fechei meus olhos com força esperando o pior... Mas logo abri novamente pois não foi a voz de um monstro ou de um serial killer que ecoou pela pequena estrutura de poliéster, era Kyle, sua voz foi como música para meus ouvidos naquele momento de profunda agonia.
- Kyle?
Kyle estava diante de nós tão pálido quanto Anne, suspirei de alívio mas o terror ainda não havia acabado e as vozes também não.
- Vamos dar o fora daqui, tem algo na floresta!
Naquele momento as vozes cessaram, trazendo aquele silêncio arrastado que parecia anunciar que uma tragédia estava se aproximando.
Anne e eu saltamos para fora da barraca em fração de segundos, sem nos importar com nossos pertences que ficavam para trás, naquele momento nossas vidas que estavam em jogo mesmo que não pudéssemos ver as coisas que as ameaçavam.
Um som monstruoso e gutural ecoou pelo acampamento, era como um uivo, mas não era algo que um animal seria capaz de fazer, muito menos um humano, parecia algo de outro mundo, algo que ninguém ali seria capaz de explicar.
A noite se tornou branca e um silêncio ensurdecedor pairou no ar novamente, mas dessa vez parecia que a floresta inteira estava paralisada de horror, até a tempestade se tornou silenciosa durante aqueles segundos e o vento não ousou soprar.
Ficamos congelados, sem saber o próximo passo. Perdidos, sem saber onde aquelas coisas estavam.
Então alguns arbustos começaram a farfalhar indicando que algo se aproximava e nós voltamos a realidade, trocamos um rápido olhar, como uma comunicação silenciosa que dizia "corram, corram o mais rápido que puderem" e assim foi feito, começamos nossa corrida pela escorregadia descida lamacenta, lutando para não cair, com medo de sermos alcançados.
A chuva caía sobre nós dificultando tudo mas o instinto de sobrevivência era maior que qualquer coisa. Naquele momento havia uma imagem da linha traçada por Kyle naquele mapa na mente de cada um de nós e nós tentávamos seguir um caminho através dessa memória. As luzes dos raios eram de grande ajuda, elas se tornaram cruciais para determinarmos aonde estávamos.
Eu podia ouvir o meu coração e de todos os meus amigos em batidas sincronizadas de puro horror, não sabíamos se aquilo - seja lá o que fosse - ainda estava atrás de nós e não ousamos parar para descobrir.
Mas em algum momento que um raio serpenteou no céu fornecendo seu clarão eu ousei olhar para trás vislumbrando algo horrível entre as árvores.
Era um ser todo branco, parecia um boneco de borracha, eu só sabia que não era um porque ele se mexia sutilmente enquanto nos observava sumir no horizonte, ele não parecia derrotado, parecia mais que ele estava aceitando nossa fuga com algum tipo de promessa de voltar depois. Seus braços eram longos, pendiam na reta dos joelhos, seus dedos pareciam garras, ele era alto, muito alto, seu rosto não tinha nada além de dois círculos negros como a noite no lugar onde deveriam estar seus olhos. Olhei para ele somente por alguns segundos mas foi o suficiente para guardar sua imagem para sempre em minha mente, ver ele foi como levar um soco no estômago, eu senti vontade de vomitar e cair, mas me mantive firme em minha corrida enquanto aquela coisa caminhava para trás sumindo na escuridão.
Aquilo... aquilo não era natural, não podia ser.
Mas como sempre, eu fui covarde, engoli seco e continuei correndo enquanto dizia pra mim mesma que aquilo não passava de uma alucinação.
Só paramos de correr quando vimos as luzes da cidade ficando maiores diante da tempestade, estávamos quase lá quando ouvimos um baque surdo, Rick havia caído. Nos viramos para ele e vimos o garoto no chão grunhindo de dor enquanto segurava seu tornozelo.
- Rick! - gritamos em uníssono e corremos na direção do nosso amigo que se contorcia no chão.
Quando chegamos perto o suficiente Rick nos lançou um olhar carregado de um misto de sentimentos, raiva, medo, frustração e principalmente rancor, ele estava nos culpando.
Ele havia torcido o tornozelo gravemente, além disso, um grande corte ia de seu tornozelo até o começo de sua panturrilha.
- E-eu não consigo andar. - ele disse com a voz fraca.
- Fica calmo, eu te ajudo. - Phillipi disse levantando Rick e apoiando o garoto em seu ombro.
Rick olhou para todos nós com aquela mesma expressão de raiva, mas dessa vez havia um terror particular em seu olhar.
- Estamos amaldiçoados! Todos nós! Vir até aqui foi uma péssima ideia! - ele disse desesperado, um desespero que eu nunca vi em Rick mesmo ele sendo o mais medroso de nós.
- Merda. Ele nos viu - ele fez um pausa, sua voz falhou, observamos paralisados - estamos amaldiçoados! - ele disse em meio as lágrimas.
- Rick fica calmo! - Phillipi disse tentando acalmar o garoto, mas as lágrimas continuavam a correr pelo rosto do mesmo.
Aquilo tudo fez meu coração gelar. Rick é obcecado por histórias de terror, mesmo sendo medroso. Ele sabia mais que ninguém ali o que estava falando, além disso tínhamos vivido tudo aquilo no acampamento e ainda tinha a criatura que eu vi entre as árvores que eu preferi manter em segredo.
"Ele nos viu, estamos amaldiçoados."
Ele... seria aquele monstro que eu vi entre as árvores?
Antes que pudéssemos pensar ou falar mais, aquele som ecoou novamente no horizonte, se misturando com o som de um trovão.
Aquilo foi o bastante para trazer a adrenalina de volta. Começamos a andar rápido, ajudando nosso amigo ferido.
Só diminuímos a velocidade quando chegamos na cidade e começamos a caminhar pelas ruas pavimentadas.
Estávamos exaustos e decidimos acreditar que aquela coisa não poderia nos perseguir dentro da cidade.
Começamos a traçar nosso caminho até a casa de Kyle e Ian que era a mais próxima, iríamos dormir lá.
Quando chegamos na casa buscamos disfarçar nossas expressões de espanto e o ferimento na perna de Rick que já contava com um curativo improvisado.
Fomos rapidamente atendidos pelo xerife Harper que ficou preocupado com nossa volta prematura e repentina. Inventamos que voltamos por conta da tempestade e o xerife acreditou. Ele nos deu toalhas, roupas secas e cobertores e preparou boas canecas de chocolate quente para cada um de nós.
Nós nos sentamos no sofá grande no porão, enrolados nos cobertores e segurando as canecas fumegantes, em completo silêncio ainda tentando digerir tudo que havia acontecido.
Eu estava tentando me convencer que era tudo coisa da minha cabeça, enquanto isso, Rick fitava o chão, quase apático, ele era o pior entre nós.
Após alguns minutos naquele estado, Rick se levantou removendo o cobertor de seu corpo e largou a caneca sobre a mesa de centro, ele olhou para nós e finalmente quebrou o silêncio.
- Eu avisei vocês. - ele estava irritado.
- Eu avisei e mesmo assim vocês insistiram nisso, agora eu estou machucado! - ele concluiu com a voz mais firme.
Abaixamos nossas cabeças diante dele. Ele estava certo, era tudo culpa nossa.
- Estamos amaldiçoados.
- Porque você insiste nisso? Como assim amaldiçoados? - Ian se atreveu a perguntar.
- A maldição do número nove.
- Maldição do número nove? - Ian questionou, confuso.
Rick suspirou.
- É a lenda local que eu falei. Eu não sei ao certo quando isso surgiu, mas dizem que algo vive na floresta de Alpharetta, quando alguém acampa lá pode acontecer coisas estranhas. Algumas pessoas não vivem nada de estranho, outras vivem o que vivemos essa noite e estas são amaldiçoadas - ele parou de falar, tentando se acalmar, parecia que iria desmaiar a qualquer momento - e-eu não deveria ter ido com vocês. - ele concluiu com os olhos marejados.
- Por que você foi se sabia de tudo isso? Por que você foi mesmo acreditando que essa lenda é real? - Ian questionou, quase insensível.
- Porque vocês não acreditaram em mim e eu não poderia deixar vocês irem sozinhos. Vocês... são meus amigos!
Um silêncio pairou no ar.
- Mas eu não posso arriscar minha vida assim, isso... isso precisa acabar. - Rick disse secando seus olhos úmidos.
- O que precisa acabar? - Ian continuou com as perguntas enquanto todos nós nadávamos no silêncio.
- A nossa amizade.
Olhamos incrédulos.
- O verdadeiro passe livre pra essa maldição é um grupo de nove amigos. Demos sorte hoje de sermos seis e não nove, se não estáriamos mortos agora - Rick deu as costas para nós, mas logo virou sua cabeça em nossa direção e voltou a falar - todas as pessoas que morreram... faziam parte de um grupo de nove... nove amigos. - ele se virou pra frente novamente, deixando todos nós em uma mistura de tristeza, terror e incredulidade.
Cada um de nós buscou não acreditar em Rick, nós tínhamos vivido uma noite assustadora mas não era nada sobrenatural certo? Rick só estava com raiva de nós por conta de suas paranoias, mas logo faríamos as pazes e tudo ficaria bem certo?
Era nisso que eu queria acreditar, mas aquela coisa que eu vi na floresta me fazia pensar o contrário.
De qualquer forma busquei afastar esses pensamentos e decidi focar em Rick, em uma tentativa de resolver o que quer que estivesse culminado naquela discussão.
- Eu vou embora. - ele concluiu.
- Não Rick! Você está machucado e está chovendo muito lá fora! - eu protestei.
- Não importa. Minha decisão já foi tomada.
- Rick, mesmo que essa história seja real nós ainda somos apenas seis. - Anne falou.
- Basta três pessoas estrarem na nossa vida e tudo estará acabado, um deslize e chegaremos ao fim. - ele disse com medo no olhar e tristeza na voz, a raiva havia dado lugar a uma tristeza irreparável por estar dando um fim a nossa amizade. O orgulho tinha ido embora, Rick não queria deixar de ser nosso amigo mas para ele aquilo parecia mais do que necessário.
- Passa só essa noite aqui, amanhã você faz o que você quiser. - Kyle disse.
- Nem mais um segundo. Não falem mais comigo. - ele disse ríspido, caminhando em direção a porta marrom do porão.
- Espera! Eu vou com você. - Phillipi disse saltando do sofá e indo em direção a Rick que já sumia na escuridão da porta aberta.
Antes de Phillipi sumir da nossa visão também, ele nos lançou um olhar que dizia algo como "eu vou resolver isso". Mesmo que Rick não quisesse a presença de Phillipi, o garoto conseguiria levar Rick até sua casa em segurança e isso foi o bastante para nos tranquilizar naquele momento.
Sempre admirei a forma como Phillipi protegia Rick.
Eu continuei imersa em pensamentos.
Anne suspirou.
- Tá tudo bem, o pior já passou. - Ian disse.
- Eu espero que sim. - Anne respondeu apoiando sua cabeça na almofada atrás dela.
Kyle e eu nos entreolhamos, compartilhando do mesmo olhar de dúvida e medo.
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