Diário da loucura - Noite delirante
Céu petrolado. Nuvens hematomadas. Lua estéril. Respiração entrecortada.
As árvores lá em baixo balançam de um lado para o outro...
De um lado para outro...
Como um pêndulo.
O vento se esgueira pelas grades enferrujadas da janela, tudo isso para tocar meu rosto pálido.
Meu sangue impuro traça rotas pelas minhas veias sinuosas.
Meu pulso se torna errático enquanto eu entro em colapso.
Ele vai aparecer essa noite?
Ele vai aparecer?
Não. Não. Não.
Ele não pode aparecer aqui denovo.
Ele não pode surgir nesse quarto com seu brilho febril. Com seu olhar perverso. Com seu sorriso oblíquo.
As pontas dos meus dedos estão dormentes enquanto eu escrevo.
Mas eu não posso parar.
Se eu parar eu vou lembrar.
E eu não posso lembrar.
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