Baunilha capítulo 6

No início, nós dois estávamos bem empenhados com nossas "investigações". Principalmente Lia que estava mais do que obcecada por tudo aquilo. Para mim, por outro lado, nada daquilo tinha sentido já que Nick estava morto.

Com o passar do tempo percebemos que tudo aquilo era complexo e perigoso demais então desistimos. Bom, pelo menos, eu desisti.

Lia ficou bastante chateada e acho que no fundo ela nunca parou de procurar por pistas.

Cancelamos o plano que nos forçava a formar uma dupla, mas a essa altura já tínhamos construído uma amizade real, então mantemos.

Lia me lembrava Nick em vários aspectos: a coragem, a animação e a persistência.

Estar com ela me fez bem de alguma forma, ela era bem mais racional que eu então me ajudava bastante e agora eu não ficava jogado pelos cantos quase tendo uma overdose aos quinze anos, já que ela sempre checava meu estado.

A nossa amizade não era uma amizade normal daquelas onde os amigos saem para passeios saudáveis e toda essa coisa de gente normal. A gente costumava falar sobre nossos traumas e cuidar um do outro em momentos de crise.

Mas claro, havia momentos em que fugíamos da realidade - ou pelo menos tentávamos - normalmente saíamos para alguma festa ou coisa do tipo e no fim da noite voltávamos para a casa de carona com algum estranho, era bem imprudente eu sei, mas era nosso jeito de lidar com as coisas.

Com dezoito anos eu concluí o ensino médio e decepcionei minha mãe com a notícia de que não iria entrar em uma faculdade.

Eu escolhi morar sozinho e ela respeitou minha decisão mas a decepção estava estampada em seu rosto.

Procurei um trabalho e consegui um como faxineiro em um restaurante, o salário era suficiente para o aluguel, mantimentos e meus vícios.

Quando eu comecei a trabalhar tive que aprender a controlar meus vícios e até que eu fui bem nisso já que no trabalho eu conseguia me distrair.

Mas em casa eu quase nunca ficava sóbrio, eu não queria me lembrar, não queria pensar e nem sentir.

Eu era uma completa vergonha. Um desastre. Um fracasso. Minha vida era mais do que miserável.

Nesse novo cenário da vida minha amizade com Lia se manteve intacta, agora a gente conversava ainda mais incluindo os cansaços da vida adulta nos nossos desabafos.

Diferente de mim, Lia foi para a faculdade. Ela começou a estudar química e isso fez ela se tornar uma pessoa bastante ocupada, mas mesmo assim ela ainda tinha tempo para nossa amizade.

Nós começamos a sair toda noite no final de semana para beber em um bar perto das nossas casas, isso se tornou praticamente uma tradição na nossa amizade.

E foi em uma dessas noites que eu recebi algo que fez meu coração gelar.

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