Diário do medo 11/09/2016
Tiradentes.
Querido diário, agora são 02:43 da madrugada e eu estou aqui para contar algo super estranho que aconteceu comigo.
Eu acordei há alguns minutos e decidi ir até a cozinha para tomar um copo de suco.
Eu me levantei lentamente e comecei a caminhar com cuidado para não acordar minhas colegas.
A casa estava toda escura, e eu deixei assim mesmo, pois não queria acordar ninguém.
Quando eu cheguei na sala, parei perto da enorme janela que exibe a floresta e fiquei um tempo observando a paisagem, vendo as árvores balançando com o vento e o vasto céu azul marinho se estendendo até o horizonte.
A luz da lua atravessava a janela iluminando o cômodo. Então, assim que eu me virei para a frente, pude ver uma silhueta parada na cozinha.
Senti meu coração batendo mais rápido, mas busquei me acalmar e caminhei até lá.
Meus pés descalços tocavam o chão frio enquanto eu caminhava tentando fazer o máximo de silêncio possível.
Eu franzi o cenho e olhei para aquela silhueta fixamente enquanto me aproximava, em uma tentativa de decifrar o que realmente era.
Quando eu finalmente cheguei lá, avancei rapidamente no interruptor acendendo a luz.
Então eu finalmente vi.
Era só a Marina.
Eu me senti uma idiota por me assustar com ela.
Confesso que fiquei confusa por ela estar lá, parada no escuro.
Então as coisas ficaram verdadeiramente estranhas.
Eu ri e falei algo como:
- Você me assustou Mari!
E ela não teve reação alguma.
Marina simplesmente continuou olhando para a frente, com seu olhar fixo em nada.
Ela parecia estar hipnotizada.
- Marina? - eu chamei me aproximando.
Nenhuma resposta.
Ela continuou parada, segurando um copo de água.
- Mari! - chamei mais alto.
A esse ponto, eu estava um pouco assustada então mantive uma distância segura.
Dessa vez, ela virou sua cabeça em minha direção, em um movimento quase robótico.
Ela não moveu o corpo, nem sequer piscou.
Só virou a cabeça.
Seus olhos estavam arregalados e sua boca entreaberta.
Ela parecia uma psicopata.
- M-Mari. - falei com a voz trêmula.
O colar em seu pescoço - o mesmo que ela encontrou na cachoeira - brilhou e ela largou o copo sobre o chão, espalhando estilhaços de vidro em todas as direções.
Ela não teve nenhuma reação ao fazer isso.
Só abriu sua mão e continuou... com aquele olhar bizarro fixo em mim.
Depois, ela sorriu e virou sua cabeça para a frente naquele mesmo movimento robótico.
E saiu, pisando nos cacos de vidro com seus pés descalços SEM NENHUMA REAÇÃO.
Eu passei um longo tempo naquela cozinha tentando digerir esse acontecimento, mas, no fim das contas, decidi que não vou falar sobre isso com ninguém.
Marina deve ser sonâmbula.
Eu vou acreditar nisso.
Mesmo que eu não ache que pessoas sonâmbulas sejam capazes de caminhar sobre cacos de vidro.
- Escrito por Gio.
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