Diário do medo 11/10/2016
São João Del Rei.
Caio me contou algo assustador hoje e eu acho importante trazer para cá.
Durante a madrugada, ele estava deitado em sua cama, imerso em pensamentos, sem conseguir dormir.
Até que algo chamou sua atenção.
Eram batidas na janela.
Caio ficou confuso e assustado com aquilo, mas pensou que poderia ser algum de nós. Então ele foi até lá e abriu a janela.
E, bem, ele estava certo em pensar que era algum de seus amigos.
Pois era logo o seu melhor amigo... Iago.
O problema é que Iago está morto.
Caio cambaleou para trás enquanto aquela figura fazia gestos estranhos e exibia um largo sorriso, sem se preocupar em tentar parecer normal.
Quando Caio pensou em simplesmente fechar a janela, já era tarde, aquela coisa havia avançado para dentro do quarto.
Em poucos segundos, já estava em cima de Caio, tentando morder seu pescoço com uma boca cheia de dentes pontiagudos.
Aquilo tinha o corpo de Iago, mas era nítido que era só uma imitação barata, já que não se portava como um humano.
Caio empurrou a criatura para longe e alcançou uma tesoura em sua mesa.
Quando a criatura voltou, pronta para uma nova investida, Caio deixou a tesoura em punho...
Mas hesitou...
Hesitou por um segundo, pois eram os olhos de seu melhor amigo ali.
Nesse meio tempo, a criatura tomou a tesoura e desferiu um golpe em Caio, causando um corte profundo em seu braço.
Caio conteve um grito e usou suas forças para jogar a tesoura longe, a fim de escapar de um possível golpe fatal.
A tesoura rolou pelo chão.
Eles trocaram um breve olhar e avançaram na direção do objeto.
Caio sabia que sua vida dependia de conseguir pegar aquela lâmina primeiro.
E ele conseguiu. Por pouco, mas conseguiu.
E dessa vez, não hesitou em cravar a tesoura na garganta do clone de Iago.
Ele nem sabia se aquilo funcionaria, mas apostou tudo naquilo.
E funcionou.
O rosto da criatura se contorceu em uma expressão de dor.
Ela perdeu as forças.
E seu sangue cobriu a mão de Caio.
Depois de agonizar por breves segundos, a coisa se desfez em uma fumaça negra, e a tesoura caiu sobre o chão sem uma gota de sangue sequer.
Caio ficou muito abalado com esse acontecimento.
Ele sabe que aquele não era o Iago real, mas, de qualquer forma, foi traumatizante para ele cravar uma tesoura na garganta de um ser idêntico ao seu melhor amigo.
Decidimos não contar isso para Ingrid. Ela já está machucada demais com a morte do Iago real, não precisamos falar sobre a morte da cópia, e acho que ela não se importaria de qualquer maneira.
Acho que estamos livres desse clone maldito, pelo menos.
- Escrito por Gio.
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