Diário do medo 23/10/2016

São João Del Rei.

Eu estou tentando manter a calma.

Estou tentando manter o controle ou qualquer resquício de sanidade que exista dentro do meu ser.

Eu vou tentar... uma última vez, colocar as palavras em um papel.

Eu juro que vou tentar, assim que minhas mãos deixarem de tremer tanto.

Eu fui atrás da Ingrid hoje, ela me recebeu bem, sem saber o balde de água fria que eu estava prestes a derramar em sua cabeça.

Ingrid estava sorrindo até eu atingir seu coração em cheio com minhas palavras.

Ela cambaleou para trás e balançou a cabeça em negação.

Eu expliquei a ela que não fiz por querer, que foi uma consequência da maldição.

Eu expliquei isso não para me livrar, mas para deixar tudo claro.

Mas ela não entendeu.

Ingrid veio em minha direção, mas antes que ela chegasse perto o bastante...

Meu Deus...

Eu não sei se consigo escrever isso...

Eu ouvi um barulho, aquele som de quando algo pega fogo de forma repentina.

O corpo dela... tinha entrado em chamas.

Sem nenhuma causa aparente.

O brilho alaranjado preencheu o apartamento e as chamas intensas atingiram o teto.

Ingrid não teve nem tempo de gritar, correr ou fazer qualquer coisa.

Foi tudo tão rápido, tão súbito, e tudo que eu consegui fazer foi gritar e cair no chão em estado de completo choque, embalada por aquele calor ardente.

Eu tentei chamar ajuda, tentei salvá-la, mas...

Já era tarde demais.

Agora já é tarde para qualquer coisa de qualquer forma.

E eu não consigo viver com isso.

Por isso... esse é meu último registro.

- Escrito por Gio.

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