Diário da loucura - A epifania do gato dourado

Pela manhã ele deixou uma medalha dourada girando diante de mim.

Hipnotizante. Incontrolável.

Ele viu que eu gostei daquele tom dourado.

Ele percebeu que meus olhos castanhos refletiram aquele brilho maldito.

Quando o céu se tornou um manto negro sobre o mundo o som do tilintar da medalha ainda ressoava na minha mente, em looping.

Então eu ouvi outra coisa.

O som da porta se arrastando.

Um rangido horrível.

Passos lentos. Suaves. Quase imperceptíveis.

E depois algo ronronando.

Nessa noite eu senti algo felpudo tocando meus pés pela primeira vez.

E depois patas ásperas.

A sensação foi...

Angustiante. Nojenta. Amarga.

E eu nunca vou me perdoar.

Porque eu o trouxe até aqui.

Ele não teria vindo se não soubesse que eu gosto de dourado.

E eu mostrei isso a ele, inocentemente.

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