Diário da loucura - Marionete

Aquilo me consumiu.

Eu me tornei uma simples marionete.

E eu poderia ter corrido. Poderia ter fugido para as montanhas quando eu percebi que algo estava errado.

Mas não.

Eu fiquei lá.

Fiquei lá até que a pele dela empalideceu como porcelana. Até que os olhos negros dela se tornaram opacos e sem vida. Até que seu corpo vacilou sobre a grama úmida e seus dedos ficaram parecidos com geléia.

Eu fiquei lá.

Assistindo o último suspiro dela enquanto minhas mãos faziam coisas desumanas que eu não poderia controlar.

Mesmo assim eu ria.

Ria como um idiota. Como um bobo da corte.

E não conseguia parar.

Todos assistiam aquilo paralisados, seus rostos congelados em expressões de horror e choque.

E eu ria. Sem parar.

Minhas risadas ecoando além do limite das árvores.

O sangue avançando em linhas sinuosas até o poço de águas cristalinas.

Minha ira ultrapassando os limites de uma forma profana.

Eles mandavam eu parar. Mas eu não parava, porque não era eu.

Parar não era o que ele queria.

E se ele não queria, eu não poderia querer.

Por que eles não entendiam isso?

Por que?

Por que eles foram tão egoístas?

Eles não eram meus amigos?

Então por que me deixaram na sarjeta trancado com essa abominação?

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