Moldura amarela capítulo 6
Senti como se tivesse sido arrancado de um sono profundo. Eu havia despertado, mas minhas pálpebras pareciam tão coladas que eu pensei ser impossível abrir os olhos. Separei meus lábios secos e tentei respirar, como se precisasse de todo o ar do mundo. O som das coisas ainda era turvo, como se tudo estivesse debaixo d'água, mas eu ainda pude distinguir os equipamentos de rodinhas sendo arrastados pelos corredores, vozes distantes e o bip de algum aparelho. Lentamente abri meus olhos, sentindo um forte incômodo ao desgrudá-los. Tudo estava embaçado, mas eu quase fui cegado pela luz branca. Uma silhueta sentada em minha cama tomou forma diante daquela luz alva e, ao notar meus pequenos movimentos, chegou mais perto. Tudo foi ficando mais claro aos poucos, inclusive aquela pessoa diante de mim. - O-Olívia... - murmurei, mas tive certeza de que ela não ouviu, pois minha voz parecia só um ruído estranho. Ela se aproximou mais e eu pude ver seus olhos castanhos arregalados. - Mike! - ela...