Diário da loucura - Eu vi pessoas dançando na lua
Eu não conseguia dormir.
Parecia haver algo dentro de mim. Algo que se virava e revirava.
Eu mudei de lado na cama múltiplas vezes.
E por fim, me levantei.
Mais uma vez me juntei a janela.
Minhas mãos quentes tocaram a grade gelada e eu olhei para a minha única companhia.
A lua.
Mas havia algo errado.
Algo que me fez franzir o cenho.
Na lua havia silhuetas.
Silhuetas que se moviam com sutileza e delicadeza.
Elas dançavam majestosamente.
Eu demorei pra perceber que aquilo era algo completamente impossível.
E me diverti com o questionamento de quão grandes deveriam ser aquelas pessoas para que eu as avistasse da minha janela.
Um sorriso bobo escapou dos meus lábios.
E eu contei as silhuetas.
Uma.
Duas.
Três.
Quatro.
Cinco.
Seis.
Sete...
Senti um frio nos ossos.
Meu coração começou a bater freneticamente.
E eu entendi.
Entendi quem eram aquelas pessoas.
Eles...
Eles vieram me visitar.
Fiquei paralisado diante da janela.
Meu olhar fixo nas sombras dançantes enquanto minhas mãos tremiam.
Mas antes que eu pudesse fazer qualquer coisa...
Senti aquele forte enjôo tomando conta de mim mais uma vez.
Minha visão ficou turva e eu cambaleei para o lado segurando a cabeceira da cama.
Tudo começou a girar.
Eu senti um vazio repentino entre minhas costelas.
Algo viscoso passou pela minha garganta.
E então aquilo saiu.
Uma fumaça negra escapou da minha boca.
Era tão densa que eu pensei que fosse cair.
Tão escura que não poderia ser natural.
Ela se esgueirou pelas grades como se tivesse vida própria e se desfez céu acima.
Senti uma fraqueza inexplicável.
Mas não pude evitar que um sorriso me escapasse outra vez.
O poder latente me deixou.
Agora eu posso assumir minhas fraquezas.
Posso ser um covarde de merda.
Posso sentir raiva de novo.
Mas... eu nunca poderei romantizar as coisas dizendo que agora me sinto livre.
Porque eu sei que comigo as coisas não funcionam dessa forma.
Não há misericórdia.
Não há descanso.
Eu não vou adormecer tão cedo.
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