Diário da loucura - Rosas brancas

Essa noite eu tive um sonho.

As sensações ainda são vívidas para mim, como se tudo tivesse sido real.

Eu estava parado diante de um vasto campo de rosas brancas.

Meus pés descalços tocavam a terra úmida.

Eu olhava ao redor e não via nada além das flores e de um horizonte escuro e carregado de mistério.

Então, lentamente, começava a caminhar em direção às rosas.

Sentia o perfume suave e adocicado adentrando minhas narinas.

Meu coração batia forte a cada passo que eu dava.

Eu ficava assustado quando via que algumas flores brancas estavam salpicadas de um líquido vermelho.

O fluido carmesim escorria lentamente caindo sobre a terra.

Eu parava por um instante. Com medo do que poderia encontrar a seguir.

Respirava fundo.

E voltava a caminhar.

Um passo de cada vez.

Então eu finalmente via...

Via aquela abominação.

Aquela coisa profana.

O céu acima da minha cabeça ficava ainda mais negro.

A lua se escondia sob as nuvens, nem ela queria testemunhar aquela coisa...

Aquela cena terrível...

Bem na minha frente, deitado sobre a terra batida, com os olhos vidrados e com a garganta cortada estava... Caio.

E em cima dele estava...

Eu.

Ou uma imitação barata de mim.

Eu dava um passo para trás.

Aquela coisa se virava lentamente.

A faca em sua mão.

O sangue caindo sobre a blusa branca de Caio.

Seus movimentos errados, distorcidos, desumanos.

Ele sorria. Sorria com dentes pontudos e irregulares.

Seus olhos brancos leitosos atravessavam minha alma quebrada.

Eu dava outro passo para trás.

Meu coração martelando em meu peito.

Minha respiração ofegante enquanto aquela coisa me fitava.

Então ele erguia a faca na altura de sua boca...

E lambia o sangue que brilhava no metal.

Sua língua pegajosa deslizava sobre a lâmina com descuido.

Um corte profundo surgia.

Mas ele não parava.

Ele parecia gostar.

Ele continuava deslizando a língua compulsivamente produzindo novos cortes.

E ele sorria.

Sorria cada vez mais.

Sorria com o meu desespero crescendo.

E eu sentia vontade de gritar.

Mas nada saía.

Então aquela coisa começava a se levantar e minhas pernas vacilavam. 

O ar faltava em meus pulmões.

Ele abria um largo sorriso com seus dentes afiados e avançava em minha direção.

Então eu finalmente acordei.

03:33 da manhã.

E percebi que não sobrou ninguém.

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