Diário da loucura - Escapismo

Algumas pessoas costumam discutir quanto tempo leva para que um corpo entre em colapso depois de uma quantidade excessiva de comprimidos. Ou, quanto tempo leva para todo o sangue preencher o ladrilho depois de um corte profundo de lâmina.

Eu testei todas essas coisas.

Me vi caindo em um sono profundo do qual pensei que jamais acordaria denovo.

Mas, horas depois, meus olhos se abriam com uma sentença horrível.

Tudo continuava igual.

A vida. O meu corpo. Aquele maldito lugar.

Mesmo quando nenhuma pessoa ou ser misericordioso me carregava para fora da banheira ou da cama.

Eu simplesmente abria meus olhos.

Como se só tivesse ido dormir abraçado com sonhos terríveis.

O brilho apático do sol tocava minha face.

Mostrando que eu nunca fui poupado por aquela maldição.

Ela me reservou algo pior.

Provavelmente falou mal de mim para a dona morte, de modo que ela se recuse a olhar para mim.

Ou talvez ela só pense que eu morri a anos.

Quando penso nisso entro em pânico.

Minhas mãos tremem.

Meus olhos ficam pesados.

E parece que alguém pisa em meu peito.

Eu estou preso.

Preso em todos os malditos sentidos.

Preso nesse maldito hospital.

Preso no julgamento das pessoas lá fora.

Preso nessa vida.

Nessa vida miserável.

O que você faria para encontrar a liberdade?

O que você faria para escapar?

Eu faria qualquer coisa.

Eu fiz qualquer coisa.

Tentei tudo que estava ao meu alcance.

E tudo que eu consegui foi perceber que eu sou um desvio na ordem natural das coisas.

Comentários

Postagens mais visitadas