Diário do medo 30/09/2016

São João Del Rei. (Madrugada)

Eu não posso acreditar que isso aconteceu, acho que estou ficando louca e preciso escrever para ter certeza dos meus sentidos.

Nós fomos para a festa, que foi boa até certo ponto, já que estava tudo muito divertido e não estávamos mais tensos.

Nós bebemos muito e tudo começou a ficar estranho, principalmente para mim, que sentia como se partes daquela noite tivessem sido apagadas da minha memória.

Mas o pior ainda estava por vir, o que eu de fato gostaria de ter apagado da minha memória.

Em algum momento daquela noite, praticamente todos nós nos desentendemos. Uma raiva inexplicável tomou conta de cada um de nós, mas os mais atingidos foram Victor e Richard, que começaram a brigar seriamente, algo extremamente incomum, já que o relacionamento deles sempre foi pacífico e amoroso.

O único que parecia não sentir nada era o Caio, que tentava intermediar a situação.

A Marina começou a passar mal. O Gregory começou a tentar ajudar. A Ingrid reclamou para mim que o Iago parecia "frio", que ela nem estava reconhecendo ele.

E assim nós saímos pelas ruas sem rumo, já que havíamos esquecido completamente onde o carro estava.

Gregory e Marina seguiram caminhos diferentes, pois ela precisava de ajuda.

Estávamos andando perto do Largo do Carmo. Victor andava mais à frente, irritado. Richard estava atrás dele, chateado. Em determinado momento, Richard o alcançou e nós ficamos propositalmente para trás, na intenção de deixá-los a sós.

Tudo parecia bem, mas, de repente, ouvimos um som estranho.

Corremos na direção da ponte, onde os dois estavam, e lá nos deparamos com o pior.

Victor havia caído.

Foi tudo tão rápido, tão horrível, tão inexplicável.

Naquele momento, um abismo se abriu em meu peito.

Victor estava morto.

Meu melhor amigo estava morto.

Ingrid gritou, eu caí e todos os outros ficaram congelados, com expressões de puro choque.

Caio gritou com Richard, perguntando o que ele havia feito, mas Richard estava paralisado, lágrimas caíam de seus olhos e um horror inexplicável atravessava sua face.

Richard finalmente respondeu, aos prantos, que não havia feito nada, e a confirmação veio de imediato.

O corpo sem vida de Victor se ergueu no ar, de forma sobrenatural, e depois foi arremessado contra postes, construções, pedras e monumentos, de forma violenta.

Richard gritava para aquilo parar e corria nas direções em que Victor era arremessado, como se pudesse impedir aquilo.

Ingrid gritou ainda mais e eu fechei meus olhos, mas antes ainda pude ver o choque no olhar de cada um e o corpo desfigurado de Victor.

Eu não sei o que foi aquilo, não sei por que, não sei o que fazer... só sei que isso precisa parar agora!

- Escrito por Gio.

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