Baunilha capítulo 2
Acredito que cada criança sente uma ansiedade particular no primeiro dia de aula do fundamental.
Comigo não foi diferente, eu estava mais do que ansioso para ser inserido naquele novo espaço, mas, mesmo naquela época eu não criei grandes expectativas em relação a amizades novas já que eu era uma criança bastante tímida e reservada.
De qualquer modo, naquela manhã enquanto eu me arrumava, meus pensamentos oscilavam entre confiança e insegurança.
Poucos minutos depois de terminar de me arrumar, eu estava dentro do carro da minha mãe, vendo as paisagens de Woodstock através do vidro. O meu nervosismo era palpável.
De repente, o carro freou e minha visão foi tomada pela grande escola.
- Chegamos. - minha mãe disse se virando para mim com um sorriso.
Senti meu coração acelerar.
Acho que minha mãe percebeu porque ela desfez o sorriso e passou uma das mãos no meu cabelo ruivo, com um olhar preocupado.
- Não fica nervoso filho, a escola é incrível.
- Não estou nervoso mamãe. - menti.
- Ah que bom meu amor. - ela disse com um sorriso no rosto.
O sinal da escola tocou, meio abafado pela distância.
- Vai lá meu anjinho, você vai ter um excelente dia.
Fiquei confuso quanto a palavra "excelente" já que naquela época eu não sabia o que significava.
Assenti e saí do carro depois que minha mãe me deu um beijo na testa. Em seguida, me juntei a multidão de crianças que entravam na escola.
Minha mãe não poderia estar mais enganada quanto eu "ter um excelente dia" e eu não poderia estar mais certo quanto não criar expectativas.
O primeiro dia de aula foi entediante e eu fiquei o dia todo sozinho pelos cantos vendo as outras crianças brincando.
Algumas pessoas me olhavam com pena, outras com desdém.
Os próximos dias foram iguais ao primeiro. Pelo menos até o dia 14 de maio... quando ele apareceu.
Naquele dia eu era apenas uma criança derrotada depois que alguns meninos mais velhos roubaram o meu lanche.
Eu estava sentado em um canto olhando para o chão quando uma voz invadiu meus ouvidos.
- Eles roubaram o seu lanche também?
Levantei minha cabeça rapidamente e encontrei o dono daquela voz.
Era um garoto da minha turma.
Ele também andava sempre sozinho mas parecia aceitar isso melhor, já que andava pela escola com mais confiança e não ficava perdido pelos cantos como eu, mas sua confiança não impedia que ele fosse alvo dos meninos mais velhos.
- Sim. - eu respondi meio envergonhado.
- Meu nome é Nick! - ele disse abrindo um sorriso e estendendo sua mão em minha direção - e o seu?
- Toby.
Depois desse dia Nick virou o meu melhor amigo. Ele era um garoto muito engraçado, destemido e aventureiro. Uma verdadeira pessoa "alto-astral".
Além de encontrar Nick na escola nós também íamos bastante um na casa do outro ou simplesmente saíamos para alguma aventura no nosso subúrbio.
Ele não morava longe e nossos pais se tornaram amigos então nós nos encontrávamos cada vez mais.
Nossas famílias passaram a se unir em datas comemorativas por conta da nossa amizade.
Nós até convencemos minha mãe a construir uma casa na árvore que havia no quintal da nossa casa. Minha mãe achava uma ideia perigosa mas depois de muita insistência minha e de Nick ela acabou concordando.
Quando a casa terminou de ser construída nós decoramos ela do nosso jeito e começamos a passar muito tempo lá, era bem legal.
Nick era muito corajoso, devo dizer que era até demais.
Um dia ele até enfrentou aqueles meninos quando eles tentaram roubar nossos lanches mais uma vez. Nós apanhamos mas no final "vencemos" e paramos de ser perturbados por um bom tempo.
Eu sempre fui um covarde e Nick era o completo oposto disso.
Dizer o nome dele ainda é difícil para mim.
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