Diário da loucura - Chuva rubra

Às vezes, mesmo nos limites dessa insalubridade, consigo imaginar meu corpo se esgueirando para fora dessas grades.

Então eu flutuaria para o céu vasto e escuro, em direção às estrelas. Meus olhos fechados enquanto a brisa suave da noite toca minha face.

Eu olharia para baixo vendo as casas se transformando em símbolos geométricos sem sentido.

E quando meu corpo atravessasse os limites das nuvens e a ponta do meu dedo indicador tocasse uma estrela, a pressão superaria a resistência da minha carne e eu explodiria banhando toda a cidade em uma chuva rubra.

Imagine... todos aqueles que me rotularam como um monstro nadando em minha rubra seiva. Cada partícula do meu fluido escarlate se infiltrando nas entranhas daqueles que me jogaram nessa desgraça.

Seus gritos de desespero ecoando por todos os cantos dessa maldita cidade enquanto eu me torno parte deles aos poucos.

Aquilo que eles mais temiam.

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