Diário da loucura - Não me chame de Greg
Meu psiquiatra olha atentamente para o prontuário. Analisando meu diagnóstico pela milésima vez.
Eu continuo sentado diante dele. Meus dedos suados se entrelaçam enquanto minha respiração pesada preenche o escritório.
Sinto a vertigem me dominar enquanto os raios de sol atravessam a janela.
O homem diz coisas que eu gostaria de não ouvir, enquanto escreve com uma caneta dourada.
Sua voz áspera atravessando meus tímpanos como lâminas afiadas.
Ele diz que o silêncio pode ser pesado para mim e sugere colocar uma música.
Solto todo o ar de meus pulmões e ele pega isso como um "sim".
Meus olhos cansados o acompanham enquanto ele se levanta, caminha até o toca discos e coloca uma música francesa antiga, "qui" da cantora Mistinguett.
Balanço minhas pernas, enquanto tento regular minha respiração.
A música me deixa ainda mais tonto.
Meu terapeuta se move com elegância, seus passos suaves e sua respiração controlada.
Seu relógio dourado reflete a luz do sol. Isso fere meus olhos sensíveis.
Desvio o olhar e passo as mãos nos meus cabelos desgrenhados.
Ele olha para mim como se pudesse ver minha alma através do meu corpo de vidro.
E diz que tudo vai ficar bem.
Ele me chama de Greg.
Algo que eu odeio.
E isso deixa um gosto estranho na minha boca.
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