Diário do medo 20/10/2016
São João Del Rei.
Só o fato desse registro existir indica que nós conseguimos escapar, mas isso não significa que vencemos.
Me desculpem pela demora.
Eu não vou florear muito esse registro e vou ser direta: deu tudo errado.
Nós chegamos em Tiradentes e começamos nosso trajeto até a cachoeira, sem rodeios.
O silêncio pairava entre nós.
Depois de subir a serra, finalmente avistamos a cachoeira, dessa vez não houve intervenções no caminho.
Quando finalmente paramos no lugar exato, ficamos meio perdidos, sem saber o próximo passo.
Então Marina tomou o colar em suas mãos e avançou até o lugar onde ela o encontrou da última vez.
Tudo normal até aí.
Mas de repente, Gregory tomou um passo à frente.
Ingrid se virou para mim e disse que algo estava errado.
Eu fiquei confusa e perguntei por que ela pensava isso.
Ela me disse que viu Gregory abrindo um estranho sorriso e seus olhos ficando totalmente brancos.
Senti meu sangue gelando dentro das veias.
Não tivemos tempo de reagir.
Gregory já estava bem na frente de Marina, ele havia pedido o colar, e ela confiando em seu amigo, não viu maldade alguma e entregou.
E isso foi um erro.
Um erro irremediável.
Sabemos que essa maldição toma o corpo de quem ela quiser, e bem, dessa vez ela tomou o de Gregory.
Uma vez que o colar está nas mãos do escolhido, não há controle.
Gregory avançou sobre Marina.
Eu pude ver o choque atravessando o olhar dela enquanto aquele Gregory perverso apertava seu pescoço.
Ele ergueu ela no ar, com uma força sobre-humana, e ela ficou vermelha pela falta de ar.
Nós gritamos para ele parar, mas não adiantou nada.
Então Caio avançou, tentando impedir o pior, mas Gregory o empurrou para longe como se não fosse nada.
Foi tudo tão rápido.
Gregory ria.
Não Gregory, mas aquela coisa que estava dentro dele.
Ele ria tanto que parecia impossível.
Então ele largou Marina e ela caiu sobre a grama, já sem vida.
A pele dela estava pálida, os olhos vidrados em completo pavor e agonia.
Aquela coisa riu ainda mais e não satisfeito, pisou sobre a mão do cadáver de Marina. Ele pisou tão forte que esmagou a mão dela, formando uma trilha de sangue e carne despedaçada pela grama.
Ingrid cambaleou diante da cena, eu tentei segurá-la, mas nós duas acabamos caídas no chão.
Caio aproveitou a brecha e avançou sobre Gregory, puxando o colar de seu pescoço.
Assim que o colar foi arrancado, Gregory caiu ao lado do corpo de Marina como uma marionete em desuso.
Caio lançou o colar longe e o mesmo se perdeu nas águas da cachoeira.
E depois... depois veio todo o caos de ligar para a polícia.
De ver os familiares da Marina chorando, gritando e ameaçando Gregory.
Nós sabíamos muito bem que ele não tinha culpa e queríamos provar a inocência dele, queríamos ajudá-lo como quando ele nos ajudou com Victor.
Mas como poderíamos?
Todas as evidências apontavam para ele.
E assim Gregory foi levado.
Eles fizeram um interrogatório e consideraram que ele estava fora de si quando cometeu o assassinato.
Resumindo: Gregory foi considerado louco e agora está internado em uma clínica psiquiátrica.
Ele deve estar muito chateado com todos nós e deve se sentir muito culpado também.
E eu não o julgo.
Mas tem outra coisa horrível.
Uma coisa que me faz queimar de culpa...
Gregory... Gregory foi trancado com aquela coisa dentro de si.
Isso não significa que estamos livres.
Mas eu sei que há alguma coisa trancada com ele.
Deus... pobre Gregory.
- Escrito por Gio.
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