Nove capítulo 4

No ano seguinte nós fomos para o 1º ano do ensino médio, ficamos muito animados porque pela primeira vez estaríamos todos na mesma sala.

Rick também estava lá.

No começo do ano letivo todos nós nos sentávamos juntos em um canto da sala, Rick sentava do lado oposto e ás vezes notávamos que ele nos olhava com um olhar triste.

Retribuíamos o olhar, não por algum tipo de obrigação, mas porque sentíamos aquilo genuinamente.

Lembro que todos nós desejávamos atravessar a sala para falar com ele, para pedir que ele voltasse.

Mas aquilo não foi necessário.

Em uma manhã ensolarada de maio, mais especificamente no meu aniversário. Eu estava sentada no meu lugar esperando os outros quando de repente notei a presença de alguém na frente da minha mesa, olhei para cima e encontrei Rick com uma expressão que mesclava tristeza, arrependimento e vergonha.

- Oi... - ele disse.

- Rick?

- Hoje é seu aniversário e eu... comprei um presente para você. - ele disse erguendo uma pequena caixa azul com uma fita prata.

- Ah... obrigada. - eu disse pegando a caixa.

- Olha... eu fui um idiota paranoico com toda aquela história - ele fez uma pausa - estou tentando me tornar uma pessoa mais cética porque tudo aquilo estava me atrapalhando de verdade. - ele concluiu olhando para o chão.

- Tudo bem acreditar em coisas de terror, tudo bem ter medo - naquele momento uma vaga memória daquela criatura na mata invadiu minha mente e eu parei de falar por um segundo - mas acredito que tudo que aconteceu naquela noite foi coisa da nossa cabeça.

Desviei o olhar e comecei a abrir a caixa.

- Você tem razão. - Rick concordou.

Dentro da caixa tinha uma fita azul e um colar de miçangas.

- E eu acho que - ele continuou falando, dessa vez mais hesitante - deixa pra lá. - ele concluiu caminhando pra longe da minha mesa.

- Rick! Espera! - eu disse rapidamente. - desviando meu olhar do presente em minhas mãos.

Ele se virou com os olhos marejados.

- Volta... por favor... volta a ser nosso amigo!

Ele abriu um sorriso que fez um grande contraste com os olhos marejados e voltou.

Naquele dia Rick voltou a ser nosso amigo e nós voltamos a nos sentir completos.

Todos nós continuamos um trabalho para esquecer totalmente aquela noite e aceitar que todos os fatos estranhos foram criados pela nossa mente, a mente humana pode ser um tanto fantasiosa em situações de risco.

Eu nunca contei pra ninguém a coisa que eu vi entre as árvores e resolvi acreditar que aquilo também foi uma fantasia da minha mente, por mais real que tenha parecido.

Kyle e eu também decidimos esconder o que nos aconteceu quando voltamos ao acampamento. E na realidade, a única coisa assustadora que resolvemos considerar daquele dia foi a queda de Kyle e os machucados que ele adquiriu, com base nisso começamos a tomar cuidado quando andávamos por florestas pois o chão poderia ceder a qualquer instante ou um buraco poderia aparecer quando estivéssemos distraídos demais para notá-lo.

Rick continuou obcecado por histórias de terror mas agora ele as tratava apenas como fatos fictícios mesmo que elas ainda lhe causassem arrepios.

Assim a vida voltou ao normal e nós continuamos com nossos costumes de acampar, fazer trilhas ou simplesmente passar horas e horas no porão da casa dos Harper, não estávamos nem aí de estarmos - talvez - velhos demais pra essas coisas.

Os primeiros dois anos do nosso ensino médio foram mágicos. A única coisa realmente estranha que aconteceu nesses dois anos foram alguns pesadelos com anjos que Rick passou a ter com bastante frequência, mas, aquilo era estranho de um jeito engraçado.

Então, em um piscar de olhos, chegamos ao terceiro ano do ensino médio.

Nosso último ano na escola trouxe consigo momentos de ansiedade já que naquele ano deveríamos nos dedicar como nunca para garantirmos uma vaga na faculdade no próximo ano.

Mas não foi só ansiedade, medo e cobrança que esse período trouxe para nossas vidas.

Naquele ano nosso turma recebeu três novos alunos e os três se encaixaram perfeitamente no nosso grupo já que compartilhavam de uma personalidade bastante parecida com a nossa.

Os três eram: Ellie, Maya e Gavin.

Ellie era uma garota muito engraçada e simpática, Maya bem-humorada e vaidosa, já Gavin sarcástico, impulsivo e meio convencido. Se Ellie não namorasse com Gavin e não apresentasse ele para nós provavelmente não teríamos feito amizade com ele pois acharíamos ele muito metido.

Mas o fato é que todos três combinavam perfeitamente com nós seis, eles também topavam embarcar nas nossas aventuras e isso rendeu muitos momentos divertidos.

Nós até esquecemos daquela história de Rick sobre a maldição voltar quando o grupo completasse nove integrantes.

E isso...

Isso foi um erro.

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